Hoje, ao postar o seguinte trecho do texto "Ciência como vocação" de Marx Weber:
“A intelectualização e a a racionalização crescentes não equivalem, portanto, a um conhecimento geral crescente acerca das condições em que vivemos, Significam, antes, que acreditamos que a qualquer instantes, poderíamos, bastando que quiséssemos, provar que não existe, em princípio, nenhum poder misterioso e imprevisível que interfira com o curso de nossa vida; em uma palavra que podemos dominar tudo, por meio da previsão. Equivale isso a despojar a magia do mundo.”
Fui questionada com a seguinte pergunta do meu amigo Felipe Albuquerque:
"Existem coisas que à matemática não se aplica, por mais que toda ciência tente calcular. Mas
também não é porque não pode ser calculado que não pode ser uma ciência não é?"
Então, foi aí que eu vi a minha grande oportunidade, de estudar ainda mais para a nossa prova de Natal de
problemas metodológicos das ciências sociais e de expandir os horizontes do meu amigo Felipe!
A resposta que formulei é a seguinte:
"Então... depende, o filósofo Karl Popper dirá que ciência é
tudo aquilo que é falseável, ou seja que pode se submeter a testes e nesse caso
as humanidades não são consideradas ciências, já que não há meios de
estabelecer uma hierarquia conceitual, disputam em pé de igualdade pela sua
coerência. Já para Kuhn as ciência humanas (que não se fundam no cálculo, mas
no estudo das relações humanas na história e no espaço) são pré-paradigmáticas,
e quando ele diz isso quer dizer que como não se guiam por um paradigma, não
podem ser consideradas ciências.
"A fase pré-paradigmática representa, por assim dizer,
a pré-história de uma ciência, aquele período no qual reina ampla divergência
entre os pesquisadores sobre quais fenômenos devem ser estudados e como devem
sê-lo; sobre quais devem ser explicados e segundo quais princípios teóricos;
sobre como os princípios teóricos se inter-relacionam; sobre as regras, os
métodos e os valores que devem direcionar a busca, a descrição, a
classificação e a explicação de novos fenômenos, ou o desenvolvimento das
teorias; sobre quais técnicas e instrumentos podem ser utilizados, quais devem
ser utilizados etc. Enquanto predomina tal estado de coisas, a disciplina ainda
não alcançou o estado de genuína ciência."
Agora, considerando meu estudo recentes, devemos citar
Boaventura. Ele defende que esses conceitos de ciência vem contra uma corrente
de pensamento que imaginou que tudo fosse calculável, quando não, ao menos
previsível como nas ciências exatas. Existia a chamada física social, que
procurava lançar os mesmo conceitos aplicados nas ciências naturais para as
ciências humanas, Durkheim partilhou desses ideais e é até hoje considerado o
pai da sociologia. Ele considerava que a sociedade funcionava como um organismo
complexo, composto por várias partes que deveriam ter solidariedade entre si
para manter sua coesão (funcionalismo). Portanto, dizer que as humanidades não
são ciência, é pelo menos admitir que elas não se guiam pelos parâmetro de
dominação e previsibilidade que as ciências naturais tinham alcançado, porém ao
negar isso coloca-se as ciências humanas numa posição de atraso.
A questão que Boaventura levantará no texto “Um discurso
sobre as ciências sociais”, é que na realidade nem as naturais possuem esse
teor de previsibilidade, domínio ou dissociação sujeito/objeto que imaginamos.
As novas teorias da microfísica, da mecânica quântica, as problemáticas
ambientais e sociais tem mostrado que é necessário que surja um novo paradigma,
um que se baseará numa visão social, inclusive dos fatos “naturais”. O que se
mostrou atraso, hoje é avanço, e é difícil definir se podemos dizer “Ciências
humanas” quando o próprio parâmetro de ciência está se modificando, até porque
Boaventura diz que nesse novo paradigma as fronteiras entre senso-comum e
ciência irão ser cada vez menores. Fica a reflexão! ;) "
Caterine Zapata
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