quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Já que você perguntou....


Hoje, ao postar o seguinte trecho do texto "Ciência como vocação" de Marx Weber:

“A intelectualização e a a racionalização crescentes não equivalem, portanto, a um conhecimento geral crescente acerca das condições em que vivemos, Significam, antes, que acreditamos que a qualquer instantes, poderíamos, bastando que quiséssemos, provar que não existe, em princípio, nenhum poder misterioso e imprevisível que interfira com o curso de nossa vida; em uma palavra que podemos dominar tudo, por meio da previsão. Equivale isso a despojar a magia do mundo.”

Fui questionada com a seguinte pergunta do meu amigo Felipe Albuquerque:


"Existem coisas que à matemática não se aplica, por mais que toda ciência tente calcular. Mas 
também não é porque não pode ser calculado que não pode ser uma ciência não é?"


Então, foi aí que eu vi a minha grande oportunidade, de estudar ainda mais para a nossa prova de Natal de
problemas metodológicos das ciências sociais e de expandir os horizontes do meu amigo Felipe!

A resposta que formulei é a seguinte:


"Então... depende, o filósofo Karl Popper dirá que ciência é tudo aquilo que é falseável, ou seja que pode se submeter a testes e nesse caso as humanidades não são consideradas ciências, já que não há meios de estabelecer uma hierarquia conceitual, disputam em pé de igualdade pela sua coerência. Já para Kuhn as ciência humanas (que não se fundam no cálculo, mas no estudo das relações humanas na história e no espaço) são pré-paradigmáticas, e quando ele diz isso quer dizer que como não se guiam por um paradigma, não podem ser consideradas ciências.

"A fase pré-paradigmática representa, por assim dizer, a pré-história de uma ciência, aquele período no qual reina ampla divergência entre os pesquisadores sobre quais fenômenos devem ser estudados e como devem sê-lo; sobre quais devem ser explicados e segundo quais princípios teóricos; sobre como os princípios teóricos se inter-relacionam; sobre as regras, os métodos e os va­lores que devem direcionar a busca, a descrição, a classificação e a explicação de novos fenômenos, ou o desenvolvimento das teorias; sobre quais técnicas e instrumentos podem ser utilizados, quais devem ser utilizados etc. Enquanto predomina tal estado de coisas, a disciplina ainda não alcançou o estado de genuína ciência."

Agora, considerando meu estudo recentes, devemos citar Boaventura. Ele defende que esses conceitos de ciência vem contra uma corrente de pensamento que imaginou que tudo fosse calculável, quando não, ao menos previsível como nas ciências exatas. Existia a chamada física social, que procurava lançar os mesmo conceitos aplicados nas ciências naturais para as ciências humanas, Durkheim partilhou desses ideais e é até hoje considerado o pai da sociologia. Ele considerava que a sociedade funcionava como um organismo complexo, composto por várias partes que deveriam ter solidariedade entre si para manter sua coesão (funcionalismo). Portanto, dizer que as humanidades não são ciência, é pelo menos admitir que elas não se guiam pelos parâmetro de dominação e previsibilidade que as ciências naturais tinham alcançado, porém ao negar isso coloca-se as ciências humanas numa posição de atraso.

A questão que Boaventura levantará no texto “Um discurso sobre as ciências sociais”, é que na realidade nem as naturais possuem esse teor de previsibilidade, domínio ou dissociação sujeito/objeto que imaginamos. As novas teorias da microfísica, da mecânica quântica, as problemáticas ambientais e sociais tem mostrado que é necessário que surja um novo paradigma, um que se baseará numa visão social, inclusive dos fatos “naturais”. O que se mostrou atraso, hoje é avanço, e é difícil definir se podemos dizer “Ciências humanas” quando o próprio parâmetro de ciência está se modificando, até porque Boaventura diz que nesse novo paradigma as fronteiras entre senso-comum e ciência irão ser cada vez menores. Fica a reflexão! ;) "

Caterine Zapata

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